Dia de Tormenta – Feedback


Olá pessoas, já tem algum tempo que eu não posto aqui. A vida corrida dos dias da maior cidade do pais consomem por demais meu tempo.

Mas vamos ao que estava pendente.

Aqui eu narrei em dois sabados distintos, dia 22 e dia 29, tinha eu mais de 15 e-mails confirmando presença, mas fora meus jogadores regulares só três pessoas apareceram (para três mestres presentes, sorte minha que um quarto mestre faltou ou daria pra fazer a sessão só com os mestres entediados).

No fim tivemos só uma mesa em cada dia.

A Aventura

As sinistras áreas de Tormenta devoram Arton aos poucos. São lugares horrendos onde a vida natural é impossível. Lugares insuportáveis onde o mundo como conhecemos deixou de existir. Apenas seres com as mais poderosas proteções mágicas conseguem sobreviver ali, e mesmo assim por curtos períodos.

Infelizmente, o horror antinatural não está restrito a essas áreas. A Tormenta infecta o mundo de outras formas — manifestações que, como qualquer doença, começam pequenas e insuspeitas. Então se agravam, até a cura tornar-se impossível.

Alguns acreditam que a raça lefou seja uma nova forma que a Tormenta encontrou para infestar Arton.

Esses “meio-demônios” nascem de famílias normais. Manifestam poderes aberrantes muito cedo, e são imunes a vários efeitos nocivos da Tormenta. Não parecem ter qualquer conhecimento especial sobre sua condição. Mas será verdade? Serão os lefou vítimas inocentes? Uma face diferente dos monstros? Uma raça destinada a substituir as outras? Ou seriam eles nossa defesa, nossa única esperança contra a invasão?

Ninguém tem a resposta. Mas quase todos os lefou são odiados e temidos. Muitos são mortos ainda no berço. Outros crescem para suportar a aversão, desprezo e escárnio. Outros ainda são caçados.

É verdade que alguns perseveram. Transformam sofrimento em determinação, acham forças para lutar por este mundo. Tornam-se heróis.

Outros, não.

Outros abraçam sua natureza aberrante. Voltam-se para o mal.

Para a Tormenta.

Do papel para a mesa

A aventura vinha com seis heróis prontos, um Minotauro Monge, um Humano Mago, uma Qarren Feiticeira, um Halfling Clerigo (de Tanna-Toh, uma Elfa Barda e uma Humana Bárbara.

Na minha mesa, o unico personagem que não jogou foi a barda, no lugar eu fiz na hora uma ficha de Samurai pra um dos meus jogadores regulares.

A estrutura da aventura é bem simples, o grupo já está reunido e ao chegar em uma taverna em Malpetrim encontram uma centauro de nome Hipólita que está sendo importunada por um grupo de minotauros, a jovem é salva, agradece e oferece uma missão aos jogadores, salvar sua mestra Odara, que está desaparecida. Eles viajam a vila dela, descobrem que a vila foi destruída (pelas indicações da aventura sem NENHUM sobrevivente), nesse ponto os jogadores devem entrar em uma floresta, enfrentar pelo menos quatro encontros aleatórios (pode ser mais dependendo da rolagem de sobrevivência do grupo), enfrentar Odará e por fim um inimigo chamado Sayekk que está transformando a floresta em uma área de Tormenta.

Se você reconheceu os nomes de Hipólita e Odara é por que são personagens de holy avenger (aparentemente a unica coisa do cenário que o Cassaro gosta de referenciar). Se você achou estranho um vilão cujo nome só aparece no fim como “inimigo final” não se espante, aconteceu o mesmo com meus jogadores.

Pedras e paus, podem quebrar meus ossos, mas são as palavras que me afligem o espírito.

Sendo franco, os meus jogadores não gostaram da aventura, acharam demorada e bem chata, reclamaram que apenas três personagens tinham nome (erro deles, havia uma fada moribunda em um dos eventos aleatórios que também tinha, mas ninguém perguntou qual era), reclamaram que era apenas um jogo hack&slack e também que só tinha UM item mágico na aventura toda, uma varinha de cura.

Na parte D&D da coisa acharam estranho não receberem nenhum dinheiro a aventura toda (algo no mínimo estranho pra um grupo de aventureiros mercenários, padrão do jogo).

E foi reclamação geral, os personagens eram mal construídos. TODOS os jogadores (menos o Samurai) acharam que com dois minutos com o livro básico eles fariam personagens muito melhores, escolheriam melhores magias e melhores talentos (o mago reclamou de ter um +1 pra ataque a distância já que a magia que ele mais usava era Míssil Mágico que nem teste de ataque tem, o clérigo reclamou te não ter talentos metamagicos para usar nas curas).

Foi consenso geral que o sub-chefe Odara foi um inimigo difícil, o resto não era nenhum grande desafio, ao ponto que apenas ela chegou perto de matar dois personagens no primeiro dia e mais um no segundo dia de evento.

O Sayekk foi considerado apenas irritante, mas nem de longe um grande desafio. Sendo que era frustrante andar a esmo procurando por ele na caverna. Todos os encontros foram considerado frustrantes por que não chegavam a durar nem 3 turnos, então o pessoal gastava seus recursos (Fúria, Grito de Kiai, Punho de Azgher [vulgo Shoriugen]) rapidinho ganhava e ia pro próximo encontro sem nenhum ferimento e sem o recurso pra repetir a mesma coisa. Os encontros basicamente desbastavam os jogadores ao invés de serem complicados de alguma forma.

Todos concordaram que tormenta é legal, mas nunca mais querem chegar perto da aventura se eu não consertar ela primeiro.

Conclusão da aventura

Poderia ter sido mais difícil ao invés de frustante. Tinha que ser BEM MENOS matar, lutar com tudo que está na frente e ter algum roleplay. Umas das poucas alterações que eu fiz foi colocar um item debaixo de uma pedra em um rio contaminado pela tormenta eles gostaram muito mais de passar 15 minutos pensando como recuperar o item sem cair no rio ácido do que os quase 20 da luta final.

E a Odara era um chefe mais legal que o Sayekk, é fácil simplesmente bater com tudo que você tem. O que é ruim é fazer isso tentando manter o inimigo vivo.

Melhorando a aventura

Não é só para falar mal que eu escrevi esse post. Para falar mal gratuitamente eu tenho o forum.

A aventura em si se diz durar bastante, uma noite inteira de jogatina, mas não chega a durar se quer cinco horas. Alem disso existem muitos combates, e sem relevância a trama. Uma boa sugestão seria os personagens chegarem a tempo na tribo dos centauros e lutarem contra Sayekk quando ele atacar a vila, isso resolve um dos plot holes da trama, que é descobrir como lobos tacaram fogo na vila.

Outro problema grave na trama é que se fala de Sayekk (que deveria ser o “grande” vilão da trama) muito no fim da trama. Embora a aventura tenha um trecho grande explicando a história dela em nenhum momento essa história é passada aos jogadores. Isso poderia ser resolvido com uma magia de adivinhação lançada por Hipólita que contasse essa história.

Outro ponto que tornaria mais interessante seria tirar os eventos aleatórios na floresta e dar um trilho nessa parte, colocando apenas eventos que fossem relevantes a trama. E mais importante, que houvesse a opção desses encontros serem bem sucedidos sem que tudo se resumisse a sair na porrada (Acho que o maior exemplo disso é um grupo de bárbaros que entra em fúria instantaneamente ao ver o grupo e não desiste do combate até a morte, pra ter noção a fúria deles nem acaba não importa a duração do combate).

Um ponto que os jogadores não gostaram foi a falta de recompensas. Fora as armas dos bárbaros não há nada de valor na aventura toda. Dar um item mágico aos jogadores (um anel qualquer, uma poção de soprar chamas, qualquer coisa). Claro que não dar por dar. Em minha aventura eu coloquei o item em um rio corrompido que a agua era ácido, o item estava de baixo de uma pedra, uma vez que esse desafio fosse vencido, a pedra retirada sem que o personagem fosse derretido em ácido ele receberia o premio.

Outra coisa importante seria tirar TODOS os comentários do Cassaro sobre por que o mestre tem que fazer o que o mestre tem que fazer. Em Um Visão Fugaz quase meia pagina é desperdiçada para falar por que é possível ver a Odara e não ataca-la, o que não seria um problema se a ultima linha não fosse:

• Se tudo isso falhar, diga apenas: “Ela escapa. Vocês não conseguem impedir”. Você é o mestre. Pode fazê-lo.

Outro que eu achei especialmente desnecessário é o “Mas, afinal, qual é o final “oficial”?”

Nesse o erro é outro, ele simplesmente diz que Odara é uma personagem muito importante, mas que não vai mais ser sequer mencionada em futuros acessórios. Nossa a importância dela me assusta, afinal ela pode ser descartada com tanta facilidade…

E para fechar com chave de ouro ele diz que tem que ter coragem para decidir o final. Sei, coragem…

Matar os personagens jogadores tanto faz, mas ela você tem decidir. Eu confesso que fazia anos que não me importo com nenhum personagem de holy avenger, por mim eles poderiam ser completamente esquecidos e novos personagens poderiam surgir, ou personagens diferentes como a princesa Rhana poderiam voltar a figurar.

A última coisa que poderia ser feito é refazer essas fichas de modo a ficarem uteis. Uma vez que se sabia que essa aventura era feito para tormenta você DEVERIA ter um grupo focado nessa missão. Ao meu ver você “vencer” a tormenta (com T minúsculo nesse caso) com personagens tão ruins é uma ofensa ao quão poderosa é a Tormenta. Fica parecendo que qualquer idiota consegue vencer a tormenta. Uma falha lamentável.

No futuro que as fichas sejam no mínimo bem feito.

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About Serial101

Engenheiro, RPGista, Fã de Quadrinhos, é fã do sistema M&M, e quer fazer um jogo sobre Robôs. Alias quer fazer um exército de robôs só pra tirar uma foto junto. Sonha em um dia dominar o mundo, mas está esperando o gloogle terminar de controlar as mentes das pessoas antes.

Posted on 8 de Abril de 2012, in Artigos, Informações. Bookmark the permalink. 4 comentários.

  1. Nossa a aventura foi tão ruim assim?
    Queria ter jogado.
    Sera que sai quando pra downloads.

    • Bom, eu não disse que a aventura foi extramente ruim, disse que ela não foi uma boa aventura. Ela é uma aventura focada em matar pilhar e destruir com duas falhas de roteiro grave, que são seus poucos personagens, e o fato que o seu vilão final aparece de uma hora para a outra sem que nenhum jogador soubesse quem ele era.

      Uma simples apresentação resolveria o problema.

      Quanto ao donwload, um dos membros do forum da Jambo já colocou a disposição. O link é esse: http://www.jamboeditora.com.br/comunidade/downloads/ddt.zip

  2. Sinceramente, depois de ler essa “resenha”, eu tenho quase certeza que tu não leu a aventura antes de mestrar.

    Primeiro, tu fala que a aventura diz que não há sobreviventes na vila dos centauros, quando na verdade ela só diz que os PJs não percebem sobreviventes. E ainda assim, a aventura determina que Hipólita fica no local pra ajudar os sobreviventes.

    E sobre o “mistério de como lobos incendiaram a aldeia” é facilmente resolvido lendo, na aventura, que logo após o final do combate, a Odara corrompida é avistada, observando ao longe os pjs. Se uma centaura druida corrompida pela tormenta não é capaz de incendiar uma aldeia, eu não sei o que é.

    Seus jogadores reclamaram que não haviam itens mágicos ou recompensa na aventura? Então a falha é sua, que não os avisou que Arton é mundo escasso em itens mágicos e que a Odara, se salva, dá uma recompensa de valor equivalente a DEZ MIL TÍBARES DE OURO. Se isso não é recompensa, mas uma vez, eu não sei o que é.

    Sobre as fichas prontas, é conhecimento público que aqueles personagens foram feitos PELA COMUNIDADE, numa espécie de “promoção relâmpago” que o Cassaro fez no twitter, onde ele pedia por conceitos de personagens para aventura. E depois de selecionados, ele ainda deu a chance para os que tiveram seus personagens escolhidos de fazerem as fichas dos mesmos, e foi isso que aconteceu. Se a comunidade não é tão adepta ao power gaming como seu grupo, não é culpa da aventura.

    “A aventura em si se diz durar bastante, uma noite inteira de jogatina, mas não chega a durar se quer cinco horas.” Em QUE MUNDO cinco horas de jogo não é bastante nem uma noite inteira!? Cinco horas de jogo é mais do que muita gente joga por mês!

    “Nesse o erro é outro, ele simplesmente diz que Odara é uma personagem muito importante” Eu não sei onde você leu isso, mas em NENHUM lugar do quadro “Mas, afinal, qual é o final “oficial”?” é dito que “Odara é uma personagem muito importante”, pelo CONTRÁRIO, o quadro diz “Ela não é essencial ao cenário — Hipólita pode
    ocupar seu papel, e há centenas de outros personagens.”

    Não que a aventura mereça méritos como Contra Arsenal, A Libertação de Valkaria ou a Trilogia do Fogo das Bruxas, mas ela nunca foi feita para tanto. Seu único objetivo foi celebrar o sucesso do cenário e agradecer aos fãs por isso, com uma aventura gratuita simples e clássica, pra entreter uma tarde com os amigos em vez de ficar mofando na frente da tv.

    Me parece que o que aconteceu foi você, como mestre, e seus jogadores não souberam aproveitar a aventura e esperaram algo que ela não é, e não que a aventura possuia falhas ou descuidos.

    • Sim eu li, e mesmo que não tivesse feito a mestrei mais de uma vez (três vezes em dois dias pra ser exato), assim eu sei exatamente o que ela contia.

      Um dos muitos erros da aventura, por que a Hipólita ficaria pra ajudar sobrevivêntes que ela TAMBÉM não viu? Outra das incoerencias da aventura.

      Primeiro a aventura não diz que Odara tenha qualquer participação no ataque, ou seja, isso é achismo seu. Segundo ela não seria mais druida se tivesse feito isso, já que teria pecado contra a natureza, logo ela nunca poderia queimar nada pq ficaraia sem magia. quem queimou a vila foram os lobos ou outros centauros não corrompidos. Outra incoenecia da aventura. E não se preocupe se vc não achou isso, muita coisa da aventura é inferida e não explicada, poderiam ter cido aliens de outra dimensão o texto não diz que isso não poderia acontecer (na verdade o texto não diz nada de nada).

      Não, eles não se importam com o valor dos itens magicos ou das recompensas, isso é irrelevante, eu podia ter prometido um pais pra cada um, é uma one-shot nenhum deles jamais iria usar essa recompensa. O que eles queriam é a oportunidade de usar um item magico, mesmo que fosse um pergaminho, ou receber alguma coisa por ter vencido, pode ser que eles tenham se acostumado ao estilo videogame que vc mata um lobo e “dropa” uma bota, mas era o que eles queriam, uma recompensa pelo exforço deles, não importa que recompensa seja. E eles estão certos. quem trabalha de graça é relógio.

      Meu argumento permanece, vencer o “maior inimigo do mundo de tormenta, a tormenta” com personagens tão fracos só serve pra mostrar o quanto a tormenta em si é fraca. QUALQUER UM (e não apenas os grandes herois) podem derrota-la.

      Cinco horas é menos do que eu jogo em uma semana. Por mês o numero já salta pra dias.

      Ok, adimito, Odara continua sendo uma personagem vazia e desinteressante e completamente irrelevante, assim sendo por que mesmo que tinha que ser ela na aventura? Pois é, não tinha, é só pra reciclar lixo. Beleza com essa questão, você está completamente correto.

      Sim, meus jogadores esperavam algo bom, o que não aconteceu. Das 15 pessoas que jogaram comigo nenhuma quis ir atrás de tormenta. Se isso não é um alerta que essa não foi uma boa estrategia então nada será. Eu realmente acredito que tormenta tenha algo de bom, eu só lamento que seja uma voz solitaria pedindo por qualidade e novidade.

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