Por um RPG menos Realista.


Sendo esse meu primeiro post para o TdV resolvi não fazer nada voltado para sistemas de jogos, mas sim uma carta aberta aos “RPGistas”, essa raça (ou seria Classe? Talvez seja Kit…) tão injustiçada por suas capacidades intelectuais e sua sede por conhecimento.

O que me fez escrever essa carta foi uma noticia que li em um site de cinema falando sobre a possibilidade da continuação do filme do Lanterna Verde. Segundo o autor da noticia o estudo estaria desesperado para conseguir uma nova franquia agora que Harry Potter acabou, mesmo que para isso tivesse que escolher um fracasso de bilheteria. A parte importante da noticia é o comentário da produção dizendo que o filme será ‘mais sombrio’ e mais ‘realista’.


Vagalume verde com anel dos três infinitos desejos. Lógico que é uma coisa muito real.

Eu quase passei mal quando li essas palavras.

Não necessariamente pelas palavras, eu não espero que um produtor de cinema seja uma pessoa inteligente, mas muito pelo seu conteúdo. Em algum ponto as pessoas começaram a confundir coisas básicas da vida. Uma delas parece ter sido cinismo com maturidade, onde histórias e personagens cínicos são adultos enquanto personagens com senso de humor são “coisas de Criança”. Outra é a questão desse indefinível ‘sombrio’ que se explica no cinema como um recurso para não mostrar o vilão do filme (deixando isso a cargo da imaginação da platéia) que atualmente parece estar inundando qualquer tipo de história, mesmo o de um homem vestido de verde que brilha como um vagalume.

Isso tudo porem seria passável, mas tem uma coisa que eu realmente me incomodei. O filme tinha que ser mais realista.

De fato é provado que “RPGistas” tem o infeliz habito de ler e, em média, um deles vai ler mais livros em um mês que a média dos brasileiros lê em um ano (de fato a média nacional é de 1 a 4 livros por ano, eu mesmo leio isso numa semana). Assim sendo é muito comum que esse tipo de pessoa adquira o inevitável habito de pensar.

E foi quando eu parei pra pensar que surgiu a idéia deste post.

Define-se por real aquilo que existe efetivamente (também é o nome do dinheiro brasileiro e um sinônimo de nobreza).


Claro que todos gostamos de matrix por causa do mundo real.

A questão que nada que é entretenimento é real. Se fosse os cinemas só passariam documentários. Desde o principio da humanidade nós criamos. Criamos deuses em bigas para explicar os relâmpagos e seu martelo para explicar o trovão. Criamos homens que andam sobre a água para explicar seu sacrifício. Criamos monstros nos armários por nós mesmos ou por que nosso irmão mais velho e mais babaca quis nos assustar.

Criar a fantasia é algo tão natural da humanidade quanto respirar. Um ser humano sem imaginação jamais seria humano. De fato apenas a imaginação permitiu os saltos humanos à frente. Se hoje o helicóptero é uma realidade quando Leonardo da Vince o imaginou era apenas um rabisco tosco em seu caderno. Se hoje você tem um carro é por que em algum momento alguém percebeu que em vez de rolar um objeto por um tronco era mais eficiente colocar um pedaço do tronco no objeto, embora ele só pudesse ver se isso era verdade depois de construir.

Quando vemos esse potencial para a criação ilimitado somos obrigados a nos perguntar por que alguém quer algo mais real?

Fazendo a pesquisa para esse post eu verifiquei que não são poucas as pessoas que querem um RPG mais realista (procure no gloogle: Por um RPG menos realista e veja por si mesmo). E nem mesmo falo dos jogadores chamados de “simulacionistas” que gostam de fazer gerenciamento de recursos, contar suprimentos e acham solitário jogar civilization, mas sim daqueles que deveriam deixar o RPG de lado e ir jogar The Sims.

Jogos foram feitos para criar aquilo que não existe (ou pelo menos que não temos certeza que existe) em nosso mundo. Criamos monstros, dragões e grandes histórias para mostrar a grandeza dessas criaturas e desses mundos. Criamos para nos divertir e não para nos perder em paginas e paginas de texto que tem como objetivo explicar por que um exercito qualquer usou um chapéu em uma batalha que aconteceu há quase mil anos.

Em uma partida recente do meu grupo quando o personagem do Vitor teve de correr para fugir de uma mansão vitoriana. Ele saltou do 3º andar, quebrou as duas pernas, correu por um gramado, levou uma bola de fogo de um mago na casa, usou o impulso da explosão para ser arremessado por cima do muro e cair em uma carroça de feno que o tirou do lugar semi-consciente.

Um belo exemplo de como a realidade cruel de homens morrendo com uma única facada torna tudo menos interessante que a fantasia.

Por tudo isso fica meu apelo. Por um jogo menos real, por um jogo mais fantástico, mais colorido e mais vivo. Por heróis mais heróicos, por atos mais grandiosos. E por mais diversão. Sempre pela diversão.


Sombrio e real demais até pra mim. (É preto e é verdade.)

Anúncios

About Serial101

Engenheiro, RPGista, Fã de Quadrinhos, é fã do sistema M&M, e quer fazer um jogo sobre Robôs. Alias quer fazer um exército de robôs só pra tirar uma foto junto. Sonha em um dia dominar o mundo, mas está esperando o gloogle terminar de controlar as mentes das pessoas antes.

Posted on 2 de Setembro de 2011, in Artigos. Bookmark the permalink. 3 comentários.

  1. O problema nisso tudo é que sempre vai ter quem prefira jogar algo realista. Eu concordo, o RPG tem sempre que prezar pela diversao acima do resto, afinal, nossos hobbies tem que nos divertir, e nao nos irritar.

    Mesmo que haja quem goste, eu prefiro os rpgs de fantasia medieval. Acho MUITO incoerente que um Barbaro de 20 nivel tenha pontos de vida suficiente pra passar 3 semanas sendo esfaqueado e nao morra, ou que um monge corra mais do que um cavalo puro-sangue, mas isso tudo pode gerar momentos de boas risadas.

    Quem se preocupa demais em combar e ser advogado de regras nao sabe o que é se divertir de verdade, aproveitar o jogo, por mais absurdo que ele seja. Ja tivemos uma sessao na qual precisavamos correr MUITO, e o mago do grupo usou Recuo Acelerado no cavalo. Pelas nossas contas de deslocamento, o cavalo saiu ZUNINDO a 72km/h.

    Ja passamos por muita coisa assim, e sempre nos divertimos. Melhor do que os sistemas realistas demais, nao gosto de jogar em clima pesado.

  2. EU pessoalmente prefiro um jogo mais realista,não limitado as leis da física e do possível, mas algo com uma certa lógica por exemplo “como raios não posso acende uma fogueira com um raio de fogo” algumas regras limitam muito as coisas então eu normalmente as ignoro, mas ainda mantendo o equilíbrio do sistema afinal não faz diferença segurar um mosquete com 1 mão ou 2 se você não vai faze nada com a outra.

  3. Eu diria que concordo com “metade” do texto, é necessário que as pessoas parem de equiparar “cinismo” com “maturidade”, especialmente quando lidamos com filmes de vaga-lumes verdes com lampâdas maravilhosa.

    Quanto ao rpg? depende da pessoa, se ela quer jogar o jogo mais realista, que o jogo, só precisa ter consciência que ela não está sendo mais “madura” só pq no jogo dela, magos não precisam dar 3 voltas em sentido anti-horário para fazer uma bola de fogo ou pq cada fratura ossea tem seus possíveis efeitos separadamente definidos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: